TEXTOS DE JOSÉ MACIEL LOPIS Ouça uma música minha abaixo: A Jovem caprichosa!

Os eleitores deviam agradecer...



Os eleitores deviam agradecer! Sim, deviam! Reclamam de tudo e andam dizendo por aí que os políticos só fazem o seu trabalho na época das eleições. Reclamam de mais! A evolução está chegando, e os nossos prefeitos realmente estão trabalhando, ao menos na época das eleições.
            Temos que ser espirituosos e crer nesse Brasil... É necessário pensar positivo. Suspeitas de corrupção passiva e ativa, de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, esquemas de lobby ilícito, e isso ainda não é nada... tem político que enriquece do dia para a noite, e não estou falando da esfera Federal, pois, para os ignorantes e desconhecedores, a corrupção remonta desde o primeiro governo que aqui existiu, ainda na colonização portuguesa, e não é produto deste ou daquele Governo. Consulte-se a obra de grandes historiadores. Os militares que cabrestearam este país que o digam. E os arquivos da ditadura continuam fechados, mesmo com a pressão estudantil e dialética das massas intelectuais. Um dia eles se abrem e teremos gente assustada, desmaiando e pedindo licenças eternas para receber dinheiro público para se sustentar.
            Mas, reitero: os eleitores deviam agradecer. Enriquem mesmo, é bem verdade, da noite pro dia, fazendo qualquer um se render às crenças religiosas e ao masoquismo espiritual, pensando em um dia enriquecerem também. E tem gente desistindo da escola... Estudar é um atraso! E essa ideia o eleitor não chegou com Lula. Lula é uma dessas raras exceções que entram na política em profundo descrédito, por não ter tido educação universitária, e demonstra que o mundo prático e a materialidade histórica é que levam ao conhecimento. Aprendeu o suficiente nos anos de militância contra a ditadura e mostrou para todos os ditos estudiosos de Marx que aprendeu muito mais do que os grandes socialistas utópicos do século XX e os ditos esquerdistas e socialistas puros e os sociólogos candidatos à presidência.
O eleitor chegou à ideia de que estudar não é preciso com os altos salários das figuras políticas, com as aposentadorias dadas por seis anos de trabalho, pela constitucional impunidade (consulte-se o artigo 53 do código penal), pelas licenças médicas com vencimento e pela facilidade de ser político. Lembre-se o eleitor que Lula chegou à presidência, ao contrário de algumas outras figurinhas do baralho político, alfabetizado e grande conhecedor das grandes matrizes teóricas do século XX.  
Mas voltemos à defesa dos nossos prefeitos. Usam a lei orgânica ao seu favor, e tem o expresso e tácito apoio da classe legislativa regional.  Perto das eleições o retrato é o mesmo em todo o interior: ruas sendo calçadas, esgotos sendo tapados e medidas emergenciais sendo devidamente efetuadas. E para que reclamar, eleitor? Imagine que está tudo bem, e se cada prefeito ou membro do legislativo realizar o seu trabalho com tal agilidade no período próximo a cada eleição é possível que o Brasil evolua. São quatro anos de gestão e de três em três anos mudanças radicais na gestão pública... Os eleitores deviam de fato agradecer. Imaginem se, certos da reeleição, nem isso eles fizessem?  

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