TEXTOS DE JOSÉ MACIEL LOPIS Ouça uma música minha abaixo: A Jovem caprichosa!

Obrigar alunos a rezar o pai nosso é INCONSTITUCIONAL!


O Decreto nº 3.589, de 12 de dezembro de 2011, sancionado pelo Prefeito de Ilhéus e de autoria do vereador Alzimário Belmonte pretende obrigar alunos da rede pública de ensino a rezar o “Pai Nosso” na escola. Parece até uma piada ouvir uma notícia como essa que soa, além de destoante, como um dos maiores absurdos que se pode viver em um estado laico.
Assim começamos a perceber o que nos sobrou da ditadura. Que essa proposta entre em ação em um governo ditatorial, ninguém pode fazer nada e ainda se compreende, pois o governo ditatorial cala a liberdade de expressão e apenas defende um tipo de verdade: a verdade do Estado. Não em uma democracia que abrange povos oriundos de diversas etnias distintas, com suas crenças, seus valores e seu comportamento.  Isso nos leva a refletir como esse mundo ocidental racionalista e positivista que se pretende estar evoluindo só começa a demonstrar o profundo atraso. A boa família continua sendo a branca, nuclear e burguesa... O Brasil é um país laico, senhores! Não se esqueçam dessa lição que deveria existir na pasta da carreira política de vossas senhorias! Ao contrário de muitos do Oriente Médio e do norte da Europa aqui o Estado não deve ter vínculo algum com uma religião específica, pois não temos religião oficial. Temos é um calendário católico altamente capitalista que situa bem as datas festivas no mapa do tempo para o consumo crescer.  Porém, não temos religião oficial no Brasil! Pelo menos é o que diz no Artigo 19 da Constituição Federal, aquela que é superior a qualquer outra forma de legislação ou normação, inclusive superior ao Decreto nº 3.589.
A escolha pela oração “Pai Nosso” é de base eurocêntrica. A oração é cristã, advinda da cultura branca europeia que sempre atuou como a superior pseudocultura ocidental, mas que matou milhões em nome do seu Deus e que sempre agiu em favor das classes dominantes do capitalismo selvagem.  Não à toa o filósofo Friedrich Nietzsche dedicou parte de sua obra para tecer críticas a esse modelo violento e hipócrita. Mas o que de fato deve ser vigiado e cumprido é notoriamente esquecido. É o caso da Lei Federal 10.639/03 que estabelece o ensino de História, cultura e Literatura africana na escola. Ela está esquecida, sem nenhum tipo de fiscalização que a faça ser cumprida. Essa legislação nenhum vereador ou prefeito quer ou tenta defender: “Lei que dá igualdade a pretos, não é, doutores coronéis?” Por que não parar de superiorizar a cultura do branco, europeu e montar projetos que visem à promoção da história de todas as etnias, com professores sérios e com concursos e práticas identitárias? Resposta: Porque esse mundo monológico do bem e do mal, da bondade e maldade, do Deus e do Diabo é mais forte na política do que pensávamos!
Enquanto o Brasil se torna um importante campo de cientistas sérios, a Política se afasta dessa seriedade e faz uma bela confusão entre política e religião, se misturando e se vendendo a valores que privilegiam um comportamento em detrimento de outros. As religiões têm que existir e é bom que existam! Mas lá, na Igreja, onde é o lugar delas. Escola é um lugar da ciência, do conhecimento, da produção científica, seja ela qual for. E “Pai Nosso” não é ciência, ao menos até este presente século XXI.


Os eleitores deviam agradecer...



Os eleitores deviam agradecer! Sim, deviam! Reclamam de tudo e andam dizendo por aí que os políticos só fazem o seu trabalho na época das eleições. Reclamam de mais! A evolução está chegando, e os nossos prefeitos realmente estão trabalhando, ao menos na época das eleições.
            Temos que ser espirituosos e crer nesse Brasil... É necessário pensar positivo. Suspeitas de corrupção passiva e ativa, de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, esquemas de lobby ilícito, e isso ainda não é nada... tem político que enriquece do dia para a noite, e não estou falando da esfera Federal, pois, para os ignorantes e desconhecedores, a corrupção remonta desde o primeiro governo que aqui existiu, ainda na colonização portuguesa, e não é produto deste ou daquele Governo. Consulte-se a obra de grandes historiadores. Os militares que cabrestearam este país que o digam. E os arquivos da ditadura continuam fechados, mesmo com a pressão estudantil e dialética das massas intelectuais. Um dia eles se abrem e teremos gente assustada, desmaiando e pedindo licenças eternas para receber dinheiro público para se sustentar.
            Mas, reitero: os eleitores deviam agradecer. Enriquem mesmo, é bem verdade, da noite pro dia, fazendo qualquer um se render às crenças religiosas e ao masoquismo espiritual, pensando em um dia enriquecerem também. E tem gente desistindo da escola... Estudar é um atraso! E essa ideia o eleitor não chegou com Lula. Lula é uma dessas raras exceções que entram na política em profundo descrédito, por não ter tido educação universitária, e demonstra que o mundo prático e a materialidade histórica é que levam ao conhecimento. Aprendeu o suficiente nos anos de militância contra a ditadura e mostrou para todos os ditos estudiosos de Marx que aprendeu muito mais do que os grandes socialistas utópicos do século XX e os ditos esquerdistas e socialistas puros e os sociólogos candidatos à presidência.
O eleitor chegou à ideia de que estudar não é preciso com os altos salários das figuras políticas, com as aposentadorias dadas por seis anos de trabalho, pela constitucional impunidade (consulte-se o artigo 53 do código penal), pelas licenças médicas com vencimento e pela facilidade de ser político. Lembre-se o eleitor que Lula chegou à presidência, ao contrário de algumas outras figurinhas do baralho político, alfabetizado e grande conhecedor das grandes matrizes teóricas do século XX.  
Mas voltemos à defesa dos nossos prefeitos. Usam a lei orgânica ao seu favor, e tem o expresso e tácito apoio da classe legislativa regional.  Perto das eleições o retrato é o mesmo em todo o interior: ruas sendo calçadas, esgotos sendo tapados e medidas emergenciais sendo devidamente efetuadas. E para que reclamar, eleitor? Imagine que está tudo bem, e se cada prefeito ou membro do legislativo realizar o seu trabalho com tal agilidade no período próximo a cada eleição é possível que o Brasil evolua. São quatro anos de gestão e de três em três anos mudanças radicais na gestão pública... Os eleitores deviam de fato agradecer. Imaginem se, certos da reeleição, nem isso eles fizessem?  

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As cristas do Capitalismo ocidental: os atentados ao World Trade Center

Publicada no Jornal Diário de Ilhéus em 14 de Setembro de 2011
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Os americanos nunca vão engolir o dia em que dois aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center. Parece que foi ontem pela violência com que as entidades ocidentais tratam o assunto. E foi realmente ontem, porque os americanos não querem viver isso nunca mais. Eles, superpotentes, símbolo da supraforça capitalista, sendo atacados por algumas dezenas de terroristazinhos do mal? Ora! Isso mexeu sobremodo com o Tio Sam. Até a depressão chegou por lá!
            É preciso lembrar que se tornaram uma potência, dentre outros fatores, pelo oportunismo exacerbado durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Com um país isento de conflitos bélicos venderam o quanto puderam de armas, tornando-se uma grande potência armamentista. Assistiram até quando quiseram os massacres e o extermínio realizado pelos nazistas e só foram intervir porque os seus mais frutíferos “clientes” estavam enfraquecidos. Nos fizeram engolir o American Way of Life e nos agraciaram com nomezinhos engraçadinhos e preconceituosozinhos de  “latinos”. Conseguiram, assim, instituir o inglês americano como a nova língua franca e, no ápice do neoliberalismo, na (pós) Guerra Fria, são atacados pelos orientais filhos de Allah. Como pensar que a Guerra Fria já acabou quando os alvos continuam sendo os mesmos? E, dessa vez, se inventou o nome de “guerra ao terrorismo”, rubrica que representa um terrorismo que não cessa de agradecer ao silêncio ou apoio de uma Rússia branca. Os russos devem estar rindo dentro de si mesmos por verem todo esse barato espetáculo ocorrer no centro do capitalismo ocidental. Pobres e podres ocidentais! Fato é que os sobrinhos do Tio jamais vão engolir os ataques de 11 de setembro.
            Faz dez anos que a crista do capitalismo caiu, demonstrando que os fortes e destemidos Estados Unidos da América não são tão fortes e destemidos assim. E nesses dez anos dizem até já ter “deletado” o principal culpado, sir Osama Bin Laden. Osama, o próprio, deve estar assistindo a toda essa polêmica em um bar às beiras do Marco Zero, pensando, talvez, como para nós ocidentais importam mais as aparências do que o conteúdo. Um tanto aristotélico! Essa é a Guerra ao terror mais cara da história. Em um país absurdamente neoliberal, caçar Osama saiu mais caro do que tirar os Estados Unidos da atual crise econômica. O mundo inteiro paga mais uma vez as contas deixadas por um individualismo brutal, pela exploração exagerada do capital humano, as marcas deixadas pelas correntes neoliberais que, ao invés de se espelharem na crise dos anos 30, afastam o Estado cada vez mais de sua tarefa enquanto interventor e fiscalizador, e arruínam mais uma vez o mundo econômico. Provavelmente, essa seria a guerra mais cabível que os americanos deveriam declarar: a guerra contra o seu próprio individualismo.  Concluo com um poeminha, de minha autoria, que dedico aos Estados Unidos:


A indústria me vendeu
Uma camisa “de marca”
Pra me civilizar.

E eu perguntei:
“Seu industrial,
Quantos ‘macacos’ africanos
O senhor teve que matar?”



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Liberdade para discriminar- síndrome de Bolsonaro!

A gente começa a perceber as lacunas ou as brechas da Pós-Modernidade. Fomos tão violentos ao propor democracia e direito de expressão que agora os religiosos querem ter o direito de discriminar.
            A polêmica da vez não é mais o chamado KIT GAY, mas a aprovação ou emenda à lei de racismo, complementando também as ofensas e preconceitos cometidos a homossexuais. Os religiosos saíram às ruas, ou melhor, no gramado em frente ao Congresso Nacional, para protestar. Protestar contra o quê? Contra a lei, ora. Mas a lei estabelece multa ou prisão para quem discriminar outrem por homofobia. Foi esse o medo das religiões. E principalmente porque algumas delas sustentam discursos inatistas que dizem que a homossexualidade é uma doença, e quem é homossexual irá pro fogo eterno. Temendo a lei humana, porque essa existe, (pelo menos se diz) eles saíram pra protestar. Protestar de forma absurda. Protestar defendendo um discurso medieval, desfundamentado, sem embasamento sério ou científico, e com um medinho de serem condenados a pagar multas quando se referirem a um homossexual.
            Imaginem o caso de um pastor, supostamente heterossexual apenas, que mantém relações sexuais com alguém do mesmo sexo, mas que continua se dizendo contra a homossexualidade e, pior, contra uma lei que pune a homofobia. O pior de tudo: ele é tão gay quanto o parceiro dele penetrado nessa relação sexual. Isso que a gente paga pela liberdade imposta pela Pós-modernidade: cada um tem tanta liberdade de dizer o que quer dizer, que as bobagens começam a soar sem parar, protestos contra a ordem, a lei, contra a própria Pós-modernidade.  Imaginem os dias futuros em que neonazistas e skinheads sairão às ruas, mostrando suas caras, e protestando contra esses pretos americanos, essa impureza, esses nordestinos estúpidos e esse país cheio de promiscuidade. É a contradição de ser Pós-moderno, é a síndrome de Bolsonaro.


OSAMA NÃO MORREU!



Está uma verdadeira moda viver depois de morto. Ou melhor: dizer que se está vivo depois de falecer. Depois do grande sucesso “Elvis is not dead” , muitos outros sucessos de negação da morte nasceram: “Michael não morreu”, e por último assistimos à mais tenebrosa negação da morte do mais procurado homem do mundo.
            Uma negação não menos fundamentada do que a ida dos americanos à lua naquela década de 60. Por sinal uma negação muito fundamentada. O corpo do terrorista foi mesmo jogado ao mar? E por quê? Os americanos jogaram respeitando a cultura do morto. Foi o mesmo respeito à cultura que o fizeram os americanos invadirem o Iraque? E foi mesmo respeito à cultura existente na Guerra do Vietnam? Pelo visto os americanos respeitam de fato a cultura alheia, e a ONU está ali em Nova Iorque que não deixa ninguém mentir.
            O fato é que o homem pode está por aí, em alguma mesquita fundamentalista. E o mundo todo assistindo aos americanos jogando a toalha. Talvez ele realmente esteja morto, pelo cansaço do jogo de pique - esconde que durou anos. O maior inimigo da CIA treinou seus homens juntos com os sobrinhos do Tio Sam, parece irônico. Primeiro eles ensinam o homem a se esconder (e matar uns comunistazinhos) e depois querem achar o homem na próxima esquina. Please, you, dudes! Agora a toalha cai.
            Imagino que Bin Laden pode realmente estar vivo, em algum lugar, rindo desse teatro todo, e decididamente propondo a si mesmo uma leve aposentadoria. Uma boa sugestão para o nosso bom terrorista é tomar um bom banho ocidental de praia na Zona Sul ou Zona Oeste do Rio de Janeiro. O perigo é que ele exploda todos os prédios vizinhos à praia e saia condenando ao mármore do inferno essas ocidentais carnudas.  
            A melhor comédia de todas é o soar dessa tragédia cômica: “Osama is not dead”- Osama não morreu. Dessa vez todos os fundamentalistas utilizaram o mesmo discurso americano e daqui a pouco o próprio Osama, cansado de tudo isso, manda, ele mesmo, um vídeo pro YouTube desmentindo os Yankees. Imagino o discurso do Barack Obama explicando que houve uma falha na operação e que mataram o fundamentalista errado. Dá pra entender: é coisa de norte-americano tentando ludibriar mais uma vez mais as nossas mentes com o seu American Way of Life.



O “KIT GAY” E A BANCADA RELIGIOSA: DUAS COISAS QUE NÃO DEVERIAM SE COMBINAR




                        Que o Brasil é um país altamente religioso não há sombra de dúvidas. Mas é preciso esperar que o projeto de um pacote do Ministério da Educação e Cultura (MEC) seja planejado que a gente de fato percebe tal religiosidade.

            Então, o alto executivo brasileiro não pode lançar tal projeto porque ele “fere a moral cristã”. Qual moral? Que cristianismo é esse? É aquele que julga um povo mais inteligente que outro (e por isso fomentou a escravidão, o genocídio nazista ou o Apartheid); por acaso é aquele que parte de princípios fascistas, falocêntricos, paternalistas, que ainda vê a mulher na condição do animal reprodutor, inconsciente que nasceu para ser passiva? Respondam vocês, senhores das bancadas religiosas do congresso. Vocês da mídia impressa, radiofônica e televisiva que criticaram profundamente o projeto. Mas vocês reconhecem que as bancadas religiosas ameaçaram o governo de convocar o Palocci e votar contra as propostas do governo na Reforma do Código Florestal se esse kit for aprovado. Quanta hipocrisia! É com esses acordos que eles conseguiram por fim a remoção de tal material de circulação.

            Vamos pensar em tal situação irrisória. A não circulação do material não vai evitar a homossexualidade nas escolas brasileiras. Pelo contrário, ela vai continuar existindo, tal como no tempo de Alexandre, O Grande. Esse assunto tem que ser tratado de forma séria, sem o palpite da religião. Política e religião são duas coisas absolutamente diferentes. A política não deve estar sob o olhar medieval, tradicional e fundamentalista da religião. Cansamos de tanto fundamentalismo. O Estado brasileiro é laico. Se tal pacote ou programa visa acabar com preconceitos sobre um grupo identitário isso não significa que o Governo está mandando que os jovens da escola pertença àquele grupo. Isso significa que o Governo quer que a escola cumpra seu maior papel em nossos tempos: promover o respeito ao próximo.

            Do mais é realmente preciso lembrar que o Brasil é um país laico, dominado por vertentes religiosas que, ora estão impedindo estudos sérios com células-tronco, ora estão tentando eleger presidentes que não toquem na legalização do aborto e casamentos de pessoas do mesmo sexo, ora tratando a opção sexual como uma doença e promovendo a censura a debates públicos sobre uma problema completamente relevante. Esse é um Estado laico que merece reavaliações, principalmente no que compete ao Art. 19 da Constituição Federal, porque Igreja e Estado estão se misturando rapidamente, com o aval dos próprios responsáveis pela constituinte.   

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PROFESSOR É MÃO-DE-OBRA BARATA!



            Essa é uma homenagem para os que fazem cursos de licenciatura. A profissão professor está longe de ser tratada como mão-de-obra qualificada. Ser professor é pertencer à mão-de-obra barata.

            Parece soar estranho dizer que um curso universitário leve o indivíduo à categoria de mão-de-obra barata e alguns de meus colegas e críticos vão achar estranha esta notícia. Vamos às premissas que suportam essa ideia. O que é a mão-de-obra barata? É aquela na qual ocorre mais profundamente a subsunção do trabalho, a mais-valia; é aquela em que se dá a exploração capitalista, e é, por fim, aquela categoria de trabalhadores que trabalha muito para ganhar pouco ou quase nada. Diante desse pressuposto o silêncio é o que mais se torna relevante. Na qualificação de cursos de nível superior os estudantes das licenciaturas entram em contato com teorias idealizadoras, superfantásticas, paradigmas perfeitos. É dura a quantidade de teorias que um graduando de uma licenciatura tem que estudar. E ao final, qual a maior gratificação? Trabalhar muito, em escolas sem um mínimo de infraestrutura, com alunos provenientes das áreas mais impossibilitadas, da periferia mais esquecida pelas práticas “igualitárias” de nossos governos e que, às vezes, chegam à escola famintos, tendo pai e mãe presos, com pedras de Crack no bolso e trazendo o sonho, como profissão, de entrar para a polícia, quando menos serem chefes do tráfico. O Governo Federal manda verbas, que são, na maioria das vezes mal administradas pelos municípios, quando não são desviadas. Tratar com alunos drogados e adolescentes grávidas não é o único dilema do sistema educacional, acreditem. No mais, o professor ainda leva trabalho para casa: provas e trabalhos precisam ser corrigidos.

            Com toda a valorização que o Real teve até hoje o salário do professor da escola pública continua relativamente baixo. Lembrem-se, senhores, que essa é a educação básica, a alvenaria da educação brasileira. Na mão deles vão passar futuros médicos, advogados, jornalistas, economistas, engenheiros, revisores, tradutores, linguistas, professores... E os alunos vão ganhar mais que o pobre professor. E vocês sabem por quê? Porque vivemos em uma sociedade extremamente imediatista, que se importa com coisas a curtíssimo prazo. E os frutos do professor vêm com muitos anos depois. Enquanto o médico consegue salvar a vida de um paciente em uma hora (imediatamente!), ninguém lembra que foi nas aulas de Biologia, há alguns anos, que ele se apaixonou pelo ofício (não foi imediatamente que ele se tornou um médico). Uma empregada doméstica regularizada no Brasil (uma profissão tão importante como qualquer outra) ganha relativamente o mesmo tanto que um professor. Mas não é uma empregada doméstica que ganha muito, é o professor que ganha pouco. Não é de admirar que muitos jovens recém-graduados em uma licenciatura não optem pela sala de aula, e continuem seus estudos em programas de Pós-graduação, doutoramento e pós-doutoramento.
            Parece que não adiantaram as políticas de valorização do professor. E sabem por quê? Porque, muito embora se especialize em sua área tanto quanto um médico na dele, ele não ganha bem, não trabalha em boas condições e ainda é considerado o maior culpado dessa UTI que está educação brasileira. Parece até irônico esse ser considerado “o profissional do futuro”. De qual futuro? Do futuro de quem? Mando um recado pra todos os professores de plantão: passem em concursos federais e larguem a educação básica. Isso não dá dinheiro! Professores de Português e Inglês: estudem para dar aulas em universidades, trabalhem como revisores e tradutores. Se toda mão-de-obra é reconhecida quando a demanda cresce e não é preenchida, essa é a única saída possível para um caos quase irresoluto.
 
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